O Amanhecer
Bate o sol na janela de meu quarto
Nuvens prateadas estão a aparecer
Como uma criança na hora do parto
O dia acaba de amanhecer!
Saio no jardim
O que vejo agora?
É a aurora, mãe do nascer
De um dia lindo que está pra amanhecer.
Tu és a sombra triste
Do sono tenebroso
Que dos olhos humanos resiste
Com um céu saudoso
E que de prazer dos raios matutinos
Louvam a natureza com mil belos hinos
E que mandam nas asas dos ventos ligeiros
Sons que soam por toda a redondeza
Os louvores do Autor da natureza!
O Crepúsculo
Olho pela janela
E admiro o Sol que desce
No horizonte colorido
Na hora que anoitece
E nas montanhas a descer
Longa névoa está a tecer
Exautorando-nos do Sol
A luz se recua
Dando agora
Seu lugar à Lua
E o céu azulado
Num momento de luto
Agora se distingue
Do som do belo dia, que agora se extingue,
E que sentado aqui escuto.
As asas no longínquo sopram
Ao som das árvores que dobram.
As árvores estão agora a desaparecer
Junto ao Sol que se foi com o anoitecer.
Tempo... solidão
Começa o dia: alegria sem motivação.
Passa a hora: mesmerice sem emoção,
Tradição!
É meio dia. Do almoço é a hora.
A família se uniria...
Mas quando?
Quem dera agora!
Passa o dia;
Passa a hora;
Os momentos se vão
Antes de terem acontecidos,
Tradição!
Tempo!...
Tempo que cura,
Tempo que machuca,
Tempo doçura,
Tempo união
Tempo!...
...Solidão!
A Conquista que não aconteceu
Era um dia normal no Major João Pereira. Lá estava eu sentado à beira da porta esperando o sinal tocar para que eu fosse para minha primeira aula. O corredor sempre foi uma bagunça; muita gente, muito barulho. Mas naquele dia tinha algo diferente e eu estava prestes a descobrir. Por incrível que pareça eu senti um perfume. Mas não era um perfume de algum boticário. Era uma fragrância natural que se destacara em meio aquele monte de odores que nem sempre eram bons. Uma fragrância que me atraíra e me fizera num reflexo instintivo levantar-me e encontrar sua dona. Neste instante, minhas suspeitas se confirmaram: realmente era linda, mas eu não tinha coragem de chagar nela pra dizer algo: pareceria um atormentado; porém Deus sabe o que faz: uma semana depois ela estava na minha sala e já estávamos nos tornando bons amigos. Foi aí que percebi que não era apenas seu perfume e sua beleza que mexiam comigo, mas seu jeito. Tudo nela era o que eu queria pra mim naquele momento. Só havia um empecilho: eu descobrira que ela estava namorando um amigo e eu não sou que vulgarmente chamam de “fura-zoio”. Mantive-me apenas como amigo. Os meses se passaram e os dois se separaram – fiquei até triste por um lado, acreditem. Mas era a minha vez. Contudo, como gritam os ditados populares, quem pensa só com o coração perde a razão. E, no caso, a garota.
Mas eu posso dizer que fui o “namorado que não a beijou”. Pois, tirando o beijo – do que eu não desisti apesar de não manter as esperanças acordadas – por todo o resto nós passamos. Foram momentos de conselhos, apoios, abraços, carinhos e até discussões do relacionamento. Posso dizer que hoje conheço essa linda menina que um dia eu encontrei no corredor e hoje se tornou alguém por quem tenho muito respeito e muita admiração, não apenas por ser linda e muito inteligente, mas porque eu posso dizer que eu a vi crescer nesses três anos de amizade. E se naquela época me faltava coragem pra saber se valia à pena namorar essa garota, hoje me falta coragem pra tentar algo além de deixar que o tempo cuide de fazer o que for certo. Não sei se é o melhor caminho, mas espero que um dia àquela sorte bata novamente a minha porta. E que eu escute seu bater, pois não morreria feliz antes de beijar aquela boca.
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